Não verificado

Da retirada e separação de meu filho

13:40 Oct 28 2014 Curitiba, PR, Região Sul, Brasil

Descrição
No dia 25 de agosto de 2013, um domingo ensolarado, eu marcava 40 semanas e dois dias de gestação. Meu menino dava chutes fortes, a todo momento, o que já previa a criança ativa e arteira que ele viria a ser. Apesar destes bons indícios, os exames de ultrassom mostravam, desde as 34 semanas, que ele era um bebê com baixo crescimento fetal, com peso abaixo da média. Vários exames foram realizados, mas nada de anormal foi verificado, então os médicos ficaram apenas de alerta. Na verdade, eu estava sem obstetra, pois a que me acompanhou durante a gravidez, dra. Margareth Tomelin, eu abandonei, pois ela agiu de má fé comigo, acredito até que era questão de denúncia: eu queria parto normal, ela queria fazer cesária. Para isso, ela falava que o bebê era pequeno, não ia aguentar um parto normal e talvez tivéssemos que fazer cesária, o quanto antes, para que ele não ficasse "sofrendo no útero". Na última consulta que fui fazer com ela, ela continuou com essa ladainha, e me receitou logo aquelas injeções para amadurecer os pulmões do bebê. Após receitar, ela fez um exame de toque e viu que meu colo estava se amolecendo, isso às 36 semanas. Ela então ficou "desesperada", falou que ele ia nascer prematuro e com problemas, e que eu deveria fazer repouso absoluto e tomar um remédio para inibir as contrações (aqueles remédios de asma). Saí do consultório, joguei fora as receitas, e fiquei pensando no absurdo que ela me falou. Apesar disso, não denunciei, do que me arrependo. Penso em quantas mães ela não deve ter enganado.
Apesar do que a médica falou, meu filho não nasceu prematuro (e olhe que não fiquei de repouso nem nada, pelo contrario: fazia amplas caminhadas para incentivar as contrações). Fui então me consultar na maternidade Nossa Senhora de Fátima, com os plantonistas, para acompanhar a gravidez. Queria parto normal.
Como eu disse, no dia 25, eu de 40 semanas e dois dias de gravidez, fui lá novamente. O doutor falou que eu estava com dois de dilatação, e mandou eu fazer um cartiotoco. Após o exame, ele não deixou escolha: "Agora a escolha não é mais de vocês: vai ser cesária". Não era bem o que queríamos, mas se fosse pro bem do pequeno...
Na sala de cirurgia, falei que tinha medo de anestesia. O anestesista, engraçadinho, falou que eu não pensei nisso na hora de fazer filho. Meu marido logo entrou, o que foi muito bom pra mim, para eu não me sentir sozinha. Ele me deu todo o apoio. Nosso filho nasceu bem, chorando forte, um lindo menino. Eu só pude vê-lo por alguns segundos. A enfermeira o levou de mim. Essa é a parte que mais me dói. Ele foi deixado chorando na sala dos bebês, em berço aquecido. Chorando. Me largaram no corredor, para ficar em "observação". Uma hora de "observação". Na verdade, me esqueceram no corredor do centro cirúrgico. Me esqueceram e ao meu bebê, pois largaram ele lá. Do corredor eu via a porta do berçário aberta. Ele chorou forte durante essa uma hora inteira. Eu chorei junto. O que eu mais queria era estar com ele o protegendo. Meu marido também foi tocado de lá, eu me senti por demais sozinha. A primeira hora do nascimento do meu filho: uma das mais tristes da minha vida.
Depois dessa hora, eu e o pequeno fomos levados para o quarto. Eu pensei: finalmente juntos! - Nada. estava enganada. Eles levaram ele do quarto pro banho. Meu filho nasceu às sete da noite. Fui tê-lo comigo apenas às dez. Uma tristeza.
Naquele hospital, até as faxineiras precisam se humanizar: à meia noite, na hora que eu e o bebê finalmente conseguimos dormir, chegou a equipe de limpeza (à meia noite!) batendo tudo, bantendo portas, gavetas, arrastando móveis, fazendo o maior barulho e fofocando (sim, fofocando!) alto, sem o menor respeito pelas mães e bebês que dormiam... acordei muito assustada, e quando reclamamos, elas simplesmente falaram: "Quer atendimento bom, paga um quarto melhor, que esse daqui é assim".
A amamentação, graças a Deus, se deu de forma natural e tranquila desde o começo. Aliás, daria, não fosse as enfermeiras mandarem eu dar o peito apenas de três em três horas, senão ele ia "fazer o peito de chupeta". Eu, mãe de primeira viagem, achei que elas estavam certas e neguei dar o peito antes do horário. As primeira e segunda noites foram um horror. Ele não parava de chorar... Na terceira noite, mandei aqueles conselhos pro inferno, e dei de mama mesmo, pensei: ele que faça o peito de chupeta, o que quero mesmo é dormir. Pra minha surpresa, ele mamou por poucos minutos e dormiu profundamente. A partir daí, eu pensei comigo: nunca mais vou marcar horário pra ele mamar. Isso resultou numa amamentação muito bem sucedida. A partir de então, passei a ser mais emponderada e a seguir mais o que eu sinto, o que tem dado ótimos resultados aqui em casa.
Graças ao amor, aos laços criados, sinto que cuidamos e cicatrizamos as feridas resultantes desse parto-separação. Meu filho hoje é uma criança feliz e saudável, cheio de amor. Mas não desejo pra nenhuma mãe mais o que eu passei: hoje luto pela causa do parto humanizado. Meu próximo filho há de nascer e ficar bem junto de mim e da família. E desejo que todos os bebês nasçam assim: próximos às pessoas que mais os amam. O amor nos leva a dar os melhores cuidados, mesmo que pouco saibamos acerca de como cuidar dos bebês. Com amor, só com amor, nós aprendemos.
Dados adicionais
Hospital / Maternidade: Maternidade Nossa Senhora de Fátima

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